
Este resumo de Juntos na Rutura percorre, ao longo de quinze artigos, cada capítulo da obra de Jem Bendell que publicámos em português. Não é uma recensão nem uma interpretação livre: é constituído pelas sínteses que o próprio autor preparou do seu livro, traduzidas livremente para português com a sua autorização expressa. Foi concebido para permitir partilhar o essencial e dar orientação a quem entra numa obra densa, não substituindo a experiência de a atravessar.
O livro tem uma estrutura em duas partes. Os sete primeiros capítulos fazem o diagnóstico, percorrendo, um a um, os sistemas que sustentam as sociedades industriais de consumo e mostrando onde cada um está a ceder. Os seis capítulos seguintes mudam de registo e indagam sobre o que permanece possível e que liberdades podem ser reclamadas no seio do próprio processo em curso.
Jem Bendell é professor catedrático na Universidade de Cúmbria e sociólogo, com trabalho centrado na análise crítica e interdisciplinar da rutura das sociedades modernas perante a alteração ambiental. Doutorou-se na Universidade de Bristol e licenciou-se em Geografia, com distinção, na Universidade de Cambridge.
Ficou conhecido do grande público em 2018, com o artigo «Deep Adaptation». Descarregado mais de um milhão de vezes, é amplamente reconhecido por ter inspirado o surgimento do movimento Extinction Rebellion e por ter dado origem a uma rede global dedicada à mitigação dos impactos da rutura social, o Deep Adaptation Forum.
Juntos na Rutura é a obra em que alarga esse trabalho para lá do clima, abrangendo a convergência de crises económica, monetária, energética, ecológica, alimentar e cultural.
Em setembro de 2025, Bendell esteve em Lisboa, na Casa do Comum, para o lançamento da edição portuguesa — a quinta língua em que o livro está disponível.
Fonte: https://jembendell.com/2025/10/08/summary-of-breaking-together/
Na introdução, o Professor Jem Bendell apresenta a tese central do livro: o colapso da sociedade já não é uma possibilidade distante, mas uma realidade vivida por muitas pessoas. Começa por refletir sobre o seu anterior artigo Deep Adaptation, no qual defendia a necessidade de reconhecer a inevitabilidade de uma desagregação social provocada pelas alterações climáticas. A reação generalizada ao artigo revelou um profundo negacionismo e resistência no meio académico, nos meios de comunicação social e na política.
Neste livro, Bendell alarga o seu âmbito de análise para explorar não apenas as alterações climáticas, mas também a convergência de crises relacionadas com a economia, a energia, a biosfera, a alimentação e a cultura. Sublinha que o colapso não é apenas uma ameaça externa: é algo que já estamos a experienciar, em maior ou menor grau, através da deterioração da saúde, da instabilidade económica, do conflito político e da perturbação dos sistemas ecológicos.
Bendell apresenta o colapso como algo simultaneamente material e cultural: trata-se não só da deterioração dos sistemas que sustentam a sociedade, mas também do desmoronamento das narrativas que as sociedades modernas contam a si próprias sobre o crescimento infinito, o progresso tecnológico e a inevitabilidade de uma melhoria contínua das condições de vida.
Esclarece que o seu objetivo não é promover o desespero nem oferecer uma esperança ilusória, mas antes encarar a realidade com sobriedade, abrindo assim a possibilidade de renovação. A introdução apresenta também a estrutura do livro, dividida em duas partes: a primeira diagnostica o colapso em diferentes sistemas fundamentais; a segunda explora as liberdades que podem ser recuperadas no contexto do colapso, procurando atenuar o processo e lançar as sementes de algo novo.
Bendell reconhece a dificuldade de confrontar diretamente a realidade do colapso — o luto, o medo e a resistência são reações naturais —, mas insiste que a honestidade pode conduzir à libertação. Ao recusarmos negar a realidade, criamos espaço para a sabedoria, a compaixão, a coragem e a criatividade.
Assim, a introdução estabelece o tom da obra: um apelo para ultrapassarmos as ilusões e enfrentarmos o colapso como uma condição inevitável, mas que pode também constituir uma oportunidade de transformação.

