
No quarto capítulo (resumo), Jem Bendell concluía que o colapso da biosfera reflete uma rutura fundamental na relação entre as sociedades humanas e o planeta vivo. O quinto capítulo, ainda na primeira parte do livro, centra-se na ciência climática e em dinâmicas frequentemente ignoradas.
Tal como nos artigos anteriores, apresentamos a síntese preparada pelo próprio autor, traduzida livremente para português com a sua autorização. Constitui um ponto de partida para os temas abordados no capítulo, apresentando uma breve perspetiva sobre os seus conteúdos.
O quinto capítulo percorre os seguintes pontos: O regresso aos princípios básicos da estufa > Está a acontecer e é mau > Quando a climatologia escapa aos climatologistas > Até que ponto é que as coisas vão piorar? > O que devemos fazer? > Para além do contraproducente > Isto realmente muda tudo
Segue-se o resumo do quinto capítulo, tal como apresentado pelo autor.
Fonte: https://jembendell.com/2025/10/08/summary-of-breaking-together/
Neste capítulo, Bendell analisa a ciência climática, dando particular atenção a dinâmicas frequentemente ignoradas. Retoma os fundamentos do efeito de estufa — o CO₂, o metano e os ciclos de retroação — mas sublinha a forma como instituições de referência, como o IPCC, tendem sistematicamente a minimizar os cenários mais extremos, excluindo dados e efeitos de retroação. O capítulo destaca o aquecimento acelerado, o degelo do permafrost, a desestabilização das calotes polares e a intensificação das tempestades como sinais de que a desestabilização do clima está já em curso, de forma acentuada.
Bendell salienta que as alterações climáticas não constituem um processo gradual e linear, mas antes uma sucessão de falhas interligadas: alterações nos ciclos sazonais, perturbações nos sistemas alimentares, subida do nível do mar e desestruturação das sociedades. Critica a excessiva prudência que marcou a climatologia no passado e alerta para outros fatores de origem humana que contribuem para o aquecimento, para além dos gases com efeito de estufa, como a diminuição da formação de nuvens favorecida pelas florestas.
Medidas políticas, como os mercados de carbono ou os compromissos de neutralidade carbónica, são apresentadas como distrações contraproducentes. O capítulo defende que a única resposta verdadeiramente honesta consiste em aceitar que a perturbação em larga escala provocada pelo caos climático se irá intensificar, sem deixar, ainda assim, de agir para travar o agravamento dos danos. Esta visão realista, embora inquietante, oferece uma base para agir com integridade e coragem, em vez de alimentar falsas esperanças.

