
Depois da introdução, em que Jem Bendell apresenta o colapso como uma condição já em curso, começa aqui a primeira parte do livro: sete capítulos que examinam, um a um, os sistemas que sustentam as sociedades industriais de consumo. O primeiro é sobre o colapso económico.
Este resumo não é uma recensão nem uma interpretação livre: é constituído pela síntese que o próprio autor preparou do seu livro, traduzida livremente para português com a sua autorização expressa. A ideia é partilhar o essencial e orientar quem se aventura numa obra densa, sem nunca substituir a experiência de nela mergulhar.
O primeiro capítulo desenvolve-se ao longo do seguinte percurso: Um fim bem medido > O que está a colapsar? > O fim do desenvolvimento > As fundações económicas desmoronam-se > O fim anunciado das contradições > O começo de novos fins
A convite da Bambual Portugal, Jem Bendell esteve em Lisboa, na Casa do Comum, em setembro de 2025, para o lançamento do seu livro. Antes de avançarmos para o resumo do capítulo, disponibilizamos um excerto da apresentação de Jem Bendell.
Podemos agora entrar no primeiro capítulo e acompanhar o processo de reflexão proposto pelo autor.
Fonte: https://jembendell.com/2025/10/08/summary-of-breaking-together/
Este capítulo defende que o modelo económico subjacente às sociedades industriais de consumo chegou ao seu ponto de rutura. Bendell identifica indicadores fundamentais que evidenciam uma deterioração desde cerca de 2016: a diminuição da esperança média de vida, a redução dos salários reais, a estagnação da produtividade e os retrocessos na maioria dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas.
Salienta que o crescimento económico é estruturalmente exigido pelos sistemas monetários modernos, mas que os limites biofísicos e sociais significam que esse crescimento não pode ser sustentado. O desenvolvimento, outrora apresentado como uma progressão inevitável, revela-se estagnado, ou mesmo em retrocesso, em grande parte do mundo.
As contradições entre as promessas do capitalismo e os seus resultados tornaram-se evidentes: os encargos da dívida aumentam à medida que os níveis de vida se deterioram, e a desigualdade alimenta a instabilidade política. A globalização, outrora celebrada como motor da prosperidade, revela agora a sua fragilidade através das perturbações nas cadeias de abastecimento, do aumento dos custos e da diminuição dos retornos do investimento.
O capítulo conclui que o colapso económico não é um cenário futuro, mas um processo que já está em curso. Em vez de uma queda abrupta, Bendell descreve um processo prolongado de desagregação, no qual as contradições sistémicas se acumulam até destabilizarem os alicerces da vida quotidiana. Este capítulo estabelece assim o ponto de partida, demonstrando que a economia global — há muito considerada um domínio de expansão ilimitada — se encontra, na realidade, num processo de declínio irreversível, o que compromete a legitimidade das narrativas económicas dominantes.

