
No primeiro capítulo (resumo), Jem Bendell sublinhava que o crescimento económico é estruturalmente exigido pelos sistemas monetários modernos. O segundo capítulo, ainda na primeira parte do livro, centra-se precisamente nesses sistemas e no colapso monetário.
Como nos artigos anteriores, o resumo que se apresenta é a síntese elaborada pelo próprio autor, traduzida livremente para português com a sua autorização. Serve de guia para os temas do capítulo, sem dispensar a leitura da obra.
Ao longo do capítulo, o autor percorre os seguintes pontos: Porque é que o crescimento se tornou a nossa religião? > As respostas à crise financeira de 2008 marcaram o princípio do fim > A geopolítica do dinheiro explica as recentes políticas monetárias > O capitalismo do desastre e o seu impacto no período pandémico > Aquisição neocolonial durante o ‘pico fiduciário’ > Reivindicar o poder monetário?
Segue-se mais um excerto da apresentação de Jem Bendell na Casa do Comum, em Lisboa, em setembro de 2025.
Passamos agora ao resumo do segundo capítulo, tal como apresentado pelo autor.
Fonte: https://jembendell.com/2025/10/08/summary-of-breaking-together/
Bendell analisa o papel dos sistemas monetários em tornar o colapso inevitável. Explica que as economias modernas dependem da criação de moeda baseada na dívida, o que exige um crescimento perpétuo.
A crise financeira de 2008 expôs fragilidades estruturais, mas as medidas adotadas em resposta apenas agravaram os riscos a longo prazo: a flexibilização quantitativa, as taxas de juro próximas de zero e as compras massivas de ativos inflaram bolhas, ao mesmo tempo que transferiram riqueza para as elites. Esta situação abriu caminho à instabilidade atual.
Durante a pandemia de Covid-19, os bancos centrais e os governos apoiaram as grandes empresas através da compra de obrigações de empresas, entre outras políticas nefastas, facilitando aquisições empresariais e a apropriação de recursos, especialmente no Sul Global.
Bendell chama a isto a era do «pico do dinheiro fiduciário», em que a confiança no dinheiro enquanto reserva de valor se desgasta. Destaca de que modo a geopolítica — tal como a acumulação de ouro pela China e as experiências com sistemas de pagamento alternativos — revela fissuras na ordem dominada pelo dólar.
A inflação, a desigualdade e a diminuição da confiança são encaradas como precursoras de uma potencial mudança de regime monetário. Importa sublinhar que, para Bendell, o dinheiro não é neutro: incorpora lógicas expansionistas e hierárquicas e molda a cultura e a política de formas que perpetuam a destruição ecológica. Recuperar o poder monetário é, portanto, essencial, mas extremamente difícil, uma vez que as elites continuam profundamente empenhadas em preservar a sua vantagem.
A inevitabilidade do colapso monetário evidencia a vulnerabilidade de todos os outros sistemas sociais que dependem da estabilidade financeira.

