
No segundo capítulo (resumo), Jem Bendell concluía que a inevitabilidade do colapso monetário evidencia a vulnerabilidade de todos os sistemas sociais que dependem da estabilidade financeira. O terceiro capítulo, ainda na primeira parte do livro, centra-se na energia, que o autor considera a força vital das sociedades industriais de consumo.
Tal como nos artigos anteriores, apresentamos a síntese preparada pelo próprio autor, traduzida livremente para português com a sua autorização. Pretende ser um ponto de partida para os temas do capítulo sem substituir a leitura da obra.
O terceiro capítulo percorre os seguintes pontos: As sociedades modernas são definidas pelo consumo extremo de energia > Energia e economia não podem ser dissociadas > Descarbonização não é libertação > A opção nuclear > O pico do crude > Este debate está poluído pelas indústrias energéticas > Eu também odeio esta conclusão
Continuamos com mais um excerto da apresentação de Jem Bendell na Casa do Comum, em Lisboa, em setembro de 2025.
Segue-se o resumo do terceiro capítulo, tal como apresentado pelo autor.
Fonte: https://jembendell.com/2025/10/08/summary-of-breaking-together/
A energia é a força vital das sociedades industriais de consumo, e Bendell demonstra como a dependência dos combustíveis fósseis de alto teor energético cria vulnerabilidades. Salienta que o consumo de energia não foi dissociado da atividade económica, pelo que o «crescimento verde» é, até ao momento, uma ilusão.
As políticas de «zero emissões líquidas», embora retoricamente ambiciosas, mascaram a impossibilidade prática de manter os atuais meios de subsistência e estilos de vida sem combustíveis fósseis.
As energias renováveis, embora valiosas, não conseguem reproduzir a escala, a densidade ou a fiabilidade dos hidrocarbonetos. A energia nuclear revela-se também limitada por questões de segurança, pelos resíduos, pelos custos e pela desconfiança pública.
Bendell discute o «pico do petróleo», observando que a produção de crude convencional estagnou, enquanto as fontes não convencionais acarretam custos ambientais e económicos mais elevados.
O lóbi da indústria, a desinformação e o «greenwashing» distorcem o debate público, obscurecendo a realidade de que a escassez de energia já está a minar os níveis de vida.
A conclusão é severa: as sociedades modernas não podem fazer uma transição suave para as energias renováveis, preservando simultaneamente o crescimento económico e os estilos de vida de consumo. O futuro é de contração, não de substituição.
Reconhecer esta realidade é fundamental para nos prepararmos para ajustamentos sociais justos, mas as elites continuam a agarrar-se a narrativas de salvação tecnológica.

